13.10.07

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TERRA E CINZAS - um conto afegão


Enquanto tantos leitores caçam pipas facilmente nas vitrines e estantes estratégicas das livrarias, pode-se desviar a atenção para Terra e Cinzas -um conto afegão-, de outro escritor nascido, três anos antes, também em Cabul: Atiq Rahimi. É quase um conto, como o título sugere, mas que se agiganta à evolução da leitura, até tornar-se uma obra impossível de qualquer descarte.

Encontra-se Terra e Cinzas rastejando até a prateleira mais ao rés-do-chão, da estante mais ao fundo da livraria. Ou, então, precisa-se encomendá-lo e esperar, exercitando a paciência.


Acompanhar aquele avô, com seu neto menino e surdo, atravessar o Afeganistão, para encontrar o filho e dar-lhe a última notícia, é uma viagem vertical. Lembra a de Ana Paúcha atravessando a Espanha, também para visitar o filho , em Ana-Não, de Agustin Gomez-Arcos.

Pais velhos, cansados, doídos, que viajam ao encontro dos filhos. Não para pedir-lhes piedade, mas como se para nascerem outra vez.


Terra e Cinzas não é só história. É também linguagem. Não é só prosa. É também poesia.
É uma viagem, na qual precisa-se, freqüentemente, morder a parede. Mas, quando termina na última página, o leitor terá concluído uma grande e inesquecível jornada, acompanhado por aqueles dois.

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